Gottfried Jäger – Fotografia Generativa

o fotógrafo, artista, teórico e professor alemão foi o cirador da Fotografia Generativa (também denominada Fotografia Concreta) imagens, que trabalha com formas geométricas abstratas, trabalho de fundo tecnológico. O interessante é que êle produz e reflete sobre sua produção.

Imagens criadas sem câmera, imagens experimentais.

“Minhas fotografias têm mais a ver com “estrutura” do que com forma, com um “programa” do que com elementos individuais, com ritmo do que com melodia. São trabalhos estruturais que buscam
explorar a linguagem, a gramática, a legitimidade interna do meio e revelá-las. Aos olhos de Flusser, essa abordagem era um jogo criativo com e contra o aparato, seguindo as instruções de uso, mas ao mesmo tempo buscando novas maneiras de usá-lo, olhando para dentro do aparato em vez de através dele. Assim, as relações são invertidas: a imagem do exterior torna-se uma imagem interna do sistema.
O objetivo é dar vida a essas estruturas internas, compreendê-las e usá-las criativamente.”


Jäger Gottfried, s.t., European Photography. Special issue on Flusser, n°50, vol. 13, n°2, printemps 1992, p.36 ciitação de Marc Lenot em sua tese.

Conforme Lenot, citando Flusser, a fotografia experimental não contemplava a imagem digital. (quando Flusser escreveu a imagem gráfica estava engatinhando)
Jäger nos mostra que sim, a fotografia digital pode ser experimental.

acima Multiple Optics

Composições geométricas com o auxílio de múltiplas lentes, uma unidade óptica composta por um máximo de 57 lentes lado a lado (Tipo “S”) da câmera japonesa Kowa MPC 300 Multi-Pattern Camera. Isso permite a realização óptica de princípios geométricos como deslocamento ou translação. Por exemplo, um único objeto é projetado várias vezes adjacente ou parcialmente projetado e sobreposto no plano da imagem. A composição é observada e concebida na tela da câmera.

A câmera de óptica especial (Kowasix) foi substituída por uma câmera de grande formato. Cerca de 60 trabalhos seriados surgiram sob o nome do programa “4…” entre 1973 e 1980.

Imagens acima Mosaico

O título do programa, “Mosaico”, foi inspirado nos textos de Vilém Flussers (ver Catálogo “Schnittstelle”, Bielefeld, 1994). A série desenvolveu-se a partir do sucesso de duas estruturas estenopeicas (pinhole) intituladas “3.8.14 A, 1967” e “3.8.14 D 7 I, 1973”. O nome da série baseia-se na data de sua criação, no formato DD/MM/AA, sem espaços entre letras ou pontos. As datas de criação são seguidas pelo número da série e o ano de origem. Por exemplo: “270394, 1.1, 1994”.
O desenvolvimento dos temas pode ser acompanhado cronologicamente de 1994 a 2003.

FOTOGRAFISMOS (imagens acima))
Meus primeiros trabalhos fotográficos foram guiados pelo método experimental empírico de “tentativa e erro”. Nisso, segui o fotógrafo experimental alemão Heinz Hajek-Halke (1893-1983). A partir de meados da década de 1960, e sob a influência da “estética generativa” do filósofo Max Bense (1910-1990), sequências lógicas de imagens começaram a se desenvolver, o que consequentemente levou à introdução do termo “fotografia generativa” como título de uma exposição com outros artistas na Kunsthaus Bielefeld em 1968. O programa, baseado na ideia de uma fotografia “dada pela imagem” (e não “capturada pela imagem”), repousa sobre uma noção construtivista sistemática. Isso tem dominado meu trabalho até hoje, embora eu tenha gradualmente expandido seus limites. A partir de 1983, foram criadas “obras fotomaterialistas”, objetos fotográficos, fotomontagens e instalações fotográficas. Com isso, estudo os elementos fotográficos fundamentais: luz e sensibilidade à luz nos materiais, considerando suas qualidades no processo de formação de imagens. O projeto ainda está em andamento. Desde o início da década de 1990, venho incorporando métodos digitais e o computador à programação generativa. Nesse contexto, a “emanação da luz” (Franz Roh) deixa de ser o tema central e passa a servir como referência para o meu interesse em sua simulação.

Assim, a série “foto” – iniciada com os primeiros trabalhos em 2004 – baseia-se na implementação do aplicativo de processamento de imagens Adobe Photoshop™ personalizado. No entanto, ele não é usado para sua finalidade original – processar uma fotografia. Em vez disso, o programa produz suas próprias imagens, pura sintaxe e forma. Pode-se dizer que o programa brinca consigo mesmo, de modo que suas qualidades sintáticas se manifestam perceptivelmente, já que não há nenhum motivo pictórico que interfira ou “interrompa” sua autorreferência. Apenas a estrutura formal do programa se torna visível, seus graus de brilho, contrastes, cores, texturas, etc. Isso não resulta em representações (ícones) ou ideogramas (símbolos), mas unicamente em imagens formais (sintomas) – formalismos. Pode-se também chamar isso de “fotografismos” (J.A. Schmoll, também conhecido como Eisenwerth), pois se referem ao cânone formal da fotografia. Eles se tornam os objetos em nossa observação.
Gottfried Jäger, julho de 2011

https://www.lr-develop.de/gottfried-jaeger

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